Foi como se tivesse acabado de passar um furacão por mim, e levado minhas melhores lembranças de você e deixado um vazio no meu peito.

Quando eu vi que você estava decido que iria partir, eu sabia que por mais forte que eu parecesse naquele momento, por dentro eu havia desmoronado, tudo em mim estava em ruínas e não restava mais nada em que eu pudesse me agarrar, meu porto seguro havia partido e como um pássaro que se recupera de uma asa quebrada e se vai, assim você se foi.

O tempo passava e por mais que quisesse, não consegui fazer com que o vazio se preenchesse, já não era a mesma coisa sem você, e ficar em casa era um refúgio. O travesseiro ainda tinha seu cheiro de lavanda e eu o agarrava tão forte a ponto de pensar que poderia romper meus músculos.

Quanto mais eu pensava em você, mais aberta ficava a ferida que você deixou, mas eu não conseguia continuar, parecia que não havia mais estrelas no céu à noite e o dia amanhecia nublado, sem você o vazio era dentro e fora de mim.

Um dia me peguei lendo suas anotações, e encontrei algo que falava de nós dois, um poema feito por você e que me fez brilhar e acreditar, por mais longe que você estivesse sempre estaria aqui. O vazio nunca seria preenchido, mas mesmo assim, não iria doer mais.

Como o orvalho da manhã evapora, assim foi à dor que eu sentia, amanheceu ensolarado depois de muito tempo e a noite me sentei para ver as estrelas em nosso balanço no quintal, e como um anjo você voltava para casa com os meus pensamentos.

O ano novo!

 
 
Ah! O ano novo, e as suas promessas de começar a faculdade ou terminar ela, de se inscrever na academia, gastar menos, se preocupar menos e ser mais feliz.

Este ano que entra, traz com ele somente 365 oportunidades para que você mude, concretize as suas promessas e seja feliz como desejou. Não deixe passar em branco, não passe vontade, sorria e ria muito, abrace, compartilhe a sua alegria e divida suas tristezas, nenhum fardo precisa ser pesado demais e ser garregado sozinho, tudo mundo tem alguém.

Faça diferente, inove, renove! Deixe o ano novo entrar, acenda todas as luzes, pule as sete ondas, abrace os seus vizinhos, perdoe seus inimigos, faça novos amigos...enfim, vivva tudo de novo que este ano nos traz.

Papai e Mamãe...



Eu sei o quanto foi díficil para vocês dois, a idade já era avançada e eramos duas crianças que precisavam de tudo. Pode até não ter sido do melhor jeito na visão das outras pessoas, mas foi o melhor jeito que vocês arrajaram e eu tenho orgulho da maneira como fui educada, nunca me faltou nada e até o que não estava no alcance de vocês eu tive.

Eu já chorei tantas noites só de imaginar que um dia vocês vão embora, que um dia eu não vou ouvir mais a voz de vocês para brigar comigo, que não vou mais ter o abraço de vocês e o carinho que ás vezes é tão necessário.

Eu nunca fui o exemplo de filha, mas eu amo vocês acima de qualquer coisa nesse mundo e daria a minha própria vida se fosse necessario, só para que vocês nunca fosse embora.

 Pode não parecer, mas eu cresci, e isso aconteceu da primeira vez que vi que você já tinha mais forças para cozinhar mãe. Eu nunca tinha feito nada, você nunca deixou eu chegar perto do fogão, nem da pia, você queria que estudasse e fosse a melhor pessoa possível, mas eu precisava ajudar de alguma forma. Eu me vi adulta quando tive que ver meu pai ir para um hospital e orar a noite toda para que ele voltasse. Eu já senti tanto medo, mas vocês estão aqui...por enquanto! E é isso que me da forças todos os dias para seguir em frente, porque eu quero que vocês me vejam se formar, casar, ter filhos e ser a pessoa que vocês me criaram para que eu fosse.

Eu quero dizer que eu amo muito vocês, papai e mamãe!

Tarde...



É como se fosse ontem, lembro com perfeição de detalhes o seu sorriso. Nós éramos duas crianças e um namoro inocente de escola, vivíamos juntos, grudados como chiclete, nada abalava nossa relação de amizade, confiança e amor. Você matava aula para me ver jogando bola, me emprestava seu caderno e passava cola para as provas, sei que tudo isso era pensando em nós.

O tempo passou e crescemos amando cada dia mais um ao outro, vendo a transformação para dois adultos que precisavam tomar decisões sérias e com riscos, para nós. Você queria ser jornalista e eu piloto, teríamos que suportar a distância.

Você para São Paulo e eu para Florianópolis servir a Força Aérea, ficamos distantes por mais de cinco anos, achei que não iria te reconhecer se cruzássemos na rua, mas você tinha o mesmo sorriso de sempre e havia ficado mais bela com o tempo.

Meu coração bateu mais forte, não sabia se você tinha me reconhecido também, meu trabalho como piloto das Forças Aéreas tinha me deixado de certa forma diferente.

Não queria seguir sem ao menos ter a chance de te dizer oi e perguntar de você, queria poder ouvir sua voz e sentir seu cheiro mais uma vez, nem que fosse a ultima vez. A coragem me consumiu e conseguir falar contigo, foi como se o céu tivesse descido e eu estive ouvindo um anjo falar.

Você era uma jornalista recém formada, ainda em busca de seu sonho, tinha tornado-se escritora de livros infantis na faculdade e sua fama acabava de alcançar o auge que você esperava. Havia voltado a nossa cidade para visitar sua mãe e para minha sorte eu te reencontrei.

Eu também tinha mudado, havia conquistado meu sonho de servir ao nosso país no céu, havia acabado de me tornar um oficial da Força Aérea Brasileira. Pensava em você menos conforme o tempo passou, mas nunca te esqueci.

Você iria embora novamente, em uma semana, e eu voltaria a pensar em você novamente. Resolvi te convidar para jantar e poder usufruir de sua presença por mais algum tempo. A minha esperança era de tentar te convencer, você poderia se lembrar de nossa vida juntos e desejaria voltar.

Foi à melhor noite de minha vida, não iria me importar se tudo desse errado desde que você estivesse comigo. Aquela noite ficaria em minha memória para sempre, junto com todas as outras lembranças suas.
Ela não aceitou ficar com ele.

Ele morreu duas semanas depois em um acidente de carro voltando à base aérea em Florianópolis. Ela estava voltando para ficar com ele quando recebeu a noticia do acidente.


Era uma tarde de Sol, Julia estava sentada no banco da praça central quando viu Alexandre pela primeira vez. Ela não sabia e muito menos ele, mas o destino quis que aquele olhar se tornar-se uma linda história de amor!

Alexandre avistou um lindo sorriso e um olhar que brilhava como raios de Sol, sentado no banco de frente para o jardim, sentou-se ao seu lado e perguntou as horas, foi a melhor coisa que ele pensou no momento, eram duas e meia da tarde. Julia olhava para Alexandre, mas estava muda, sentia medo e coragem ao mesmo tempo, não conseguia falar, mas também não queria ficar ali calada. Algo veio a sua cabeça: perguntar seu nome.

Alexandre respondeu e puxou uma longa conversa com ela, e ficaram ali por horas. Ele a chamou para uma volta no jardim, enquanto conversavam descobriam um do outro e se interessavam.
Já eram quase quatro horas, Julia se despediu de Alexandre e escreveu seu numero na palma da mão dele. Sorriram uma para o outro e Alexandre ficou olhando para ela até quando virou a esquina e sumiu do seu campo de visão.

Depois disso foram muitas outras conversas no parque, na sorveteria e ele a buscava toda sexta na escola para irem jogar boliche. Era uma linda amizade, mas os dois queriam mais. Ele não disse nada a ela e ela não tinha coragem de dizer nada a ele. E o tempo passava, aquele sentimento aumentava e nada acontecia.
Em uma sexta, Julia saia da escola procurando pelo olhar de Alexandre, ela segurava os sapatos de boliche e tinha uma expressão triste, ele não estava lá. Era a primeira vez que ele não aparecia. Julia estava triste, mas esperou por mais e uma hora na frente da escola, afinal ele podia ter atrasado, mas isso não aconteceu, ele não foi.

Ao chegar a casa, Julia foi direto para seu quarto e trancou-se lá por horas. Ela chorava e tentava entender porque ele não tinha ido, não tinha ligado, ele havia esquecido ela de repente e sem dar explicações.
Já eram quase dez horas da noite e Julia já estava dormindo, quando sua mãe entrou em seu quarto e disse que precisava conversar com ela. Ela tinha uma carta na mão e uma expressão triste. Ela explicou que Alexandre tinha ido a sua casa no dia anterior para avisar que estaria em uma viagem para a empresa e que por isso não poderia ir com ela no boliche e ficariam sem se falar por três semanas, e por isso iria deixar uma carta para ela. Sua mãe se esqueceu de entregar a carta e de manhã recebeu um telefonema que Alexandre havia sofrido um acidente na viagem e que estava em coma em um hospital da cidade vizinha. Como ela não sabia como Julia reagiria a noticia, resolveu deixar Julia se acalmar.
Julia não tinha mais lágrimas, havia derramado todas durante a tarde. Abraçou sua mãe e pediu para que ela a levasse de manhã para o hospital para ver Alexandre, sua mãe hesitou a principio, mas não conseguiu convencer a filha a não ir.

 Logo de manhã as duas saíram para ver Alexandre, Julia estava desconsolada em saber que seu amor poderia nunca mais acordar. Quando chegaram ao hospital, Alexandre havia acordado, mas não se lembrava de Julia. Ela não sabia o que fazer, ela não chorou, ela precisa ser forte.
Julia resolveu conquistar seu amor, mais uma vez. Disse a ele que estava ali fazendo um trabalho voluntário e o convidou para uma volta e um jogo de boliche assim que ele tivesse alta.

Alexandre saiu do hospital duas semanas, em uma sexta feira, e foi buscar Julia na escola para uma partida de boliche e uma volta no parque. Quando estavam no parque, Julia não se conteve e se declarou para Alexandre, que não tinha a menor ideia de quem ela era.

Alexandre disse que não podia corresponder, pois era apaixonado por alguém que não conseguia lembrar, mas que sabia que ela tinha um lindo sorriso e seus olhos brilhavam como raios de Sol. Julia chorou, sabia que poderia ser ela, como poderia não ser.

Ela entregou para ele ler, a carta que ele havia deixado para ela e que ela mesma nunca leu. Alexandre leu a carta e no final dela, abraçou Julia, disse que aquele amor sempre iria existir e lhe deu um beijo.